Sunday, December 11, 2011


Este Natal eu vou passar no escuro...

Saturday, November 19, 2011


LRO nov2011
A Caça e o Verbo
Licia Olivetti nov/2011
as sandálias acompanham os pés
como pássaros que alçam passos
tem o pisar peremptório das aves
cada passo dá um ponto final
na madrugada amanha as trevas
circula o céu antevê palavras
plana em busca de ouvi-las frescas 
passa o tempo batendo as asas
garras abertas, caça palavras

verbos garram os pés descalços
como asas seguindo pássaros
juntos dançam no palco aéreo
recolhe a caça,  aninha, abraça


inala palavras, exala aglutinações

Tuesday, November 15, 2011

Borras de Sal


LIC, LRO nov2011

O homem parece dançar entre as pedras quentes. Seus pés mergulham na areia grossa e a água fresca passeia entre seus dedos. Um peixe minúsculo mora entre o dedo médio e o dedo grande. As unhas riscam certos nomes nas paredes da recâmara, furam meias por onde a alma passa inteira e foge para a cela ao lado. A mulher carangueja entre os grãos de areia. Ali perecem a flor e o fruto.

O amor é o louvor amargo de muitas lágrimas. Todos os dia um esforço tão grande para refazer o anelo, andar sobre o fio do cutelo, semear confiança em terra de fuga e risco. O corte ou o estilhaço são as escolhas que as nuvens carregadas pelo vento têm.

O amor  quer afoguear-se em castos prazeres. A culpa espera cada gemido para mostrar seu olho. De antigos missais ressurgem preces, promessas feitas no amargor do momento, desalentos profundos que hoje são  apenas borras de sal... O perdão encobre o verdadeiro caráter das coisas e desditoso reinstaura a rotina.

O amor cai em nossa vida como uma pedra e nos soterra em pranto. Depois fica ali brincando de estátua, dia após dia desfazendo-se em sal, assoreando de areia os caminhos que levam ao amanhã.

O amor é sóbrio de inteligência.
Licia Olivetti 2011

Monday, September 26, 2011

Portuguese Tutoring

Besides being a blogger, I am also a Portuguese tutor.
You can contact me at
Obrigada,
Licia
Ela ficava escondida debaixo da luz...

LO (NYC 27.08.11)

Tuesday, June 22, 2010

Licia Olivetti jun/2010

Hoje esqueci a memória em casa e resolvi começar tudo novo.
A última palavra jaz ainda quente e muda olhando a janela, já eu me encontro aqui fora a sonhar com a vida rejuvenescida que de longe me espia pela frincha escondida entre duas pedras, desconfiada. Aguardo a permissão, a possibilidade de ser feliz, e a ordem não vem.
A mediocridade espera sua vez.

Friday, May 14, 2010

Tempos de Ambrosia


Tempos de Ambrosia, Licia Olivetti NYC 2010 ©

A noite descansa sobre nós.
Serenos azuis dois olhos presos
correm livres num saltar de noz,
prisoneiros de líquidos anzóis,
desiluminados de dois sóis.

Tesa a madrugada segue fria.
Quietamente a natureza cria,
em conchas de maresia,
as águas que encherão a pia
para o batismo do dia.

A manhã surge farta e molhada,
já num cansaço de morta.
Sabe o homem da mata
será longa a sua jornada,
já exausto e sem nada.

À tarde, o sol maciço aquece
o coração de quem cedo esquece.
Turvos sonhos a mente tece.
E se a felicidade deles soubesse,
talvez nunca mesmo viesse.

A viver só de ambrosia,
em macedônias de azul celeste,
muita alma mercenária,
entoa angélica um hino ao ente
cuja vida nem pressente.