Wednesday, March 21, 2012

The sane truth


For you never know who you are
until you find yourself exposed in a dark ravine,
lightened only by your own invasive sight.

Then you see yourself bended by in your own limbs,
wrinkled in your own skin, silken by your own hair;
and you find yourself controlled by your own muscles,
tightened  by your tense wired tendons,
your exposed heart caged
by the calcified boundaries of your own  bones.

There you are, bended over by the sane truth.

Then you will lose your dreams and the sense of worth;
you will wish for more time to spare.
Your sleepy body will yearn for a mighty anointment.
In the dusky touching, you will solely find hands 
that will tear up hope, and pain, from your gazed face.
Under the open wounds, the embossed covers will bare 
the sober truth and the upstanding light that comes
from your balmy soul 




A verdade sã


Porque nunca sabes quem és
até que te descobres nu em uma ravina escura, 
iluminado apenas pelo raio do teu olhar intruso.

Então te vês dobrado em membros,
enrugado em peles, sedoso em pelos;
e te achas todo enformado em músculos,
retesado em tensos tendões de arame,
engaiolado o teu coração exposto
pelas arestas calcificadas do esqueleto.

Ali estás nu, curvado sob a verdade sã.

Perderás o sonho e o útil intento, 
quererás viver mais, e o corpo cansado
buscará no sono um poderoso unguento.

Na escuridão do tato, só encontrarás as mãos
que te arrancarão da face a esperança e a dor,
e sob a pele viva, marcados os teus desvãos,
a verdade sóbria e a luz 
que da alma emana o teu calor. 

Tuesday, February 14, 2012

Caminhos comuns


    A Fonte, NYC Fev2012 LRO

Com um sorriso ou um olhar de entrega, os filhos nos dão a conhecer o que é essencial na vida: experimentar o amor incondicionado. Criar filhos é seguir um curso de humildade enfeitado pela compreensão mutuamente profunda. É o amor parental que faz jorrar a força que temos dentro de nós.

A caminho da maturidade, os filhos vão aperfeiçoando a sua capacidade de absorver  experiências. Na vida adulta já deixaram com os pais a sua infância.  Esta é uma herança ao revés que nos assiste na troca de percepções que diferem segundo o tempo e a personalidade de cada um.

No correr da vida, lentamente os filhos tomam a dianteira. A partir daí nossa tarefa passa a ser a de reaprender com eles para que a renovação seja permanente.  

Os filhos logo descobrem que estamos um pouco menos assertivos, mais indagadores; em muitos aspectos, reformados; em outros, ainda na condição de noviços. Livres da responsabilidade de formá-los, podemos ser mais espontâneos. Estamos agora atados à vida somente pelo prazer de sempre aprender com ela,  até que a juventude eterna venha nos buscar.

Sem esse processo de contínua renovação, nossas mentes se fossilizam, nossa alma se enterra num mar de ressentimentos, saudosismo e isolamento progressivo da atualidade. Diante deste cenário, revisitar a realidade interna se torna imperativo. Precisamos compreender as tristezas e aceitá-las; admitir a saudade, mas somente com o intuito de reinventá-la, pois só assim o passado se transforma em memória do futuro.

Aprender é difícil e reaprender pode ser muito doloroso, mas se o primeiro é fundamental para a sobrevivência, o segundo é absolutamente necessário para a reafirmação e a renovação da individualidade. Só assim podemos voltar a produzir novidades que tenham significado para nós mesmos, e, com alguma chance, também para a sociedade. Sinto que na atual fase da minha vida, é minha responsabilidade ensinar os filhos a se renovarem, e isso só posso fazer através do exemplo vivido com prazer.

Nós somos o depositório da experiência dos jovens, mas são eles que traçam a nossa rota comum para o futuro. É uma lei da vida. De mãos dadas, a velha infância e a nova experiência seguem para um porvir fundado no passado, mas com os olhos nos paralelos do futuro.


Continuamente agradeço a Deus pelos filhos que tenho.

Licia Rabelo
NYC, 14. 02. 2012

Tuesday, December 20, 2011


In the quiet corner of the empty room, 2009

A lullaby in the quiet corner of the empty room
A mint flavored candy leaps over the heavenly roof
Porcelain palate, glass, velvet veil.
The night arrives at the crescent room,
smiles, dreams, awaits and yearns.


Summer Affair, 2008

This summer I yielded to a flooding tide.
I got up on the small rowboat,
I floated around on the even weeping.
Sluggishly I wished leaving my neglected aim.
Muddy tongues licked up the walls and floor
sucking whatever might be limpid.
Swallowed the roof of the mouth ashore,
the lick undressed the rooms of pomp and pride.
My boat  moved easily to the ceiling limit
where a lustrous beam drooped over the empty light.
I clung my weight to the rusty chain
and drowned in tears for the opaque hurt while
and saw the water overlaid the house,
slowly smoothing the even walls,
the last, intimate, closed,
libidinous soft gesture.


Sunday, December 11, 2011


Este Natal eu vou passar no escuro...

Saturday, November 19, 2011


LRO nov2011
A Caça e o Verbo
Licia Olivetti nov/2011
as sandálias acompanham os pés
como pássaros que alçam passos
tem o pisar peremptório das aves
cada passo dá um ponto final
na madrugada amanha as trevas
circula o céu antevê palavras
plana em busca de ouvi-las frescas 
passa o tempo batendo as asas
garras abertas, caça palavras

verbos garram os pés descalços
como asas seguindo pássaros
juntos dançam no palco aéreo
recolhe a caça,  aninha, abraça


inala palavras, exala aglutinações

Tuesday, November 15, 2011

Borras de Sal


LIC, LRO nov2011

O homem parece dançar entre as pedras quentes. Seus pés mergulham na areia grossa e a água fresca passeia entre seus dedos. Um peixe minúsculo mora entre o dedo médio e o dedo grande. As unhas riscam certos nomes nas paredes da recâmara, furam meias por onde a alma passa inteira e foge para a cela ao lado. A mulher carangueja entre os grãos de areia. Ali perecem a flor e o fruto.

O amor é o louvor amargo de muitas lágrimas. Todos os dia um esforço tão grande para refazer o anelo, andar sobre o fio do cutelo, semear confiança em terra de fuga e risco. O corte ou o estilhaço são as escolhas que as nuvens carregadas pelo vento têm.

O amor  quer afoguear-se em castos prazeres. A culpa espera cada gemido para mostrar seu olho. De antigos missais ressurgem preces, promessas feitas no amargor do momento, desalentos profundos que hoje são  apenas borras de sal... O perdão encobre o verdadeiro caráter das coisas e desditoso reinstaura a rotina.

O amor cai em nossa vida como uma pedra e nos soterra em pranto. Depois fica ali brincando de estátua, dia após dia desfazendo-se em sal, assoreando de areia os caminhos que levam ao amanhã.

O amor é sóbrio de inteligência.
Licia Olivetti 2011